AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

terça-feira, 27 de março de 2018

FÉRIAS? DEPENDE.

Na zona onde moro existem várias escolas a curta distância pelo que cresceu a oferta de “centros de estudo” ainda que com designações diferentes uma vez que o mercado é criativo.
A azáfama é contínua pois muitos alunos “aproveitam” as férias para … estudar.
Estamos  à beiraa do terceiro período e é tempo de “recuperação”, de manter o bom desempenho e, sobretudo, entrar a sério na preparação para exames.
É claro que a um grupo demasiado grande de alunos é questão que não lhes assiste, o seu trajecto escolar e condições familiares retiram-nos deste cenário, não vão para explicações, não têm resultados escolares elevados a manter e não vislumbram o sucesso nos exames.  
Ao que se tem constatado e face à reversão, como agora se diz, na realização de exames do 1º e 2º ciclo e a reintrodução das provas de aferição, já o ano passado se verificou um abaixamento da procura deste tipo de apoios que provavelmente se continuará a verificar mas que ainda assim e apesar das dificuldades das famílias se mantém em alta.
Várias vezes tenho insistido no sentido ser desejável que para além do cenário desenhado relativamente à avaliação externa e à sua imprescindível estabilização, a baixa da procura das explicações externas decorresse do facto dos alunos encontrarem nas escolas e no tempo que lá passam os “apoios”, as “explicações” de que necessitam, os que necessitam.
Recordo que os diferentes estudos sobre desempenho escolar e condições sociodemográficas evidenciam algo de muito significativo apesar de bem conhecido e reconhecido, a maioria dos alunos com insucesso ou em risco de insucesso têm famílias como menores rendimentos.
A ajuda externa ao estudo e como ferramenta promotora do sucesso não está ao alcance de toda a gente pelo que é fundamental que as escolas possam dispor dos dispositivos de apoio suficientes e qualificados para que se possa garantir, tanto quanto possível, a equidade de oportunidades e a protecção dos direitos dos miúdos, de todos os miúdos.
A substituição dos exames pelas provas de aferição não altera esta necessidade imperiosa, antes pelo contrário, torna-a ainda mais pertinente para que se possam corrigir e apoiar ao longo dos vários ciclos as dificuldades de alunos e professores.
O eventual abaixamento verificado na procura das explicações, sobretudo no 1º e 2º ciclos talvez traduza a menor importância atribuída pelas famílias às provas de aferição e às suas próprias dificuldades económicas.
As necessidades dos alunos justificam o recurso a dispositivos de apoio suficientes e competentes.
De uma vez por todas, é necessário contenção e combate ao desperdício, mas em educação não há despesa há investimento.

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