AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

sexta-feira, 2 de junho de 2017

DOS BRANDOS COSTUMES

Portugal entrou definitivamente em estado de graça.
Imaginem que a 11ª edição do estudo Global Peace Index realizado  pelo Instituto para a Economia e Paz Portugal coloca Portugal como terceiro país mais pacífico do mundo, depois da Nova Zelândia e Islândia e entre 163 países. É obra. Merecia mais destaque.
Entre os critérios para esta classificação contam-se instabilidade política, conflitos internos, níveis de violência e militarização são alguns dos 23 indicadores que contribuem para ordenar na tabela os 163 países que participaram no estudo.
Desde há cinco anos, em 16º lugar, temos sempre subido, no ano passado estávamos em quinto e agora … o pódio. aguardo com alguma expectativa a luta pela paternidade deste resultado.
A verdade é que somos reconhecidamente um país de brandos costumes, somos um povo discreto. Não abusamos da violência e quando o fazemos é no recato do lar ou, quando muito, no quintal.
A nossa violência, é uma violência de proximidade, violência doméstica em números muito elevados, umas tareias nos miúdos a ver se eles aprendem, uma sacholada ou tiro num vizinho por causa de uma partilha ou de uma pinga de água, pouco mais do que isso. Por vezes, lá trocamos uns sopapos ou coisa pior por causa de um desaguisado de trânsito, mas nada que possa configurar violência pública ou convulsão social graves.
Somos mesmo um povo tranquilo e de brandos costumes, algo que os estrangeiros, quase sempre, referem como característica dos portugueses.
Ainda assim e apesar do conformismo agora confirmado, a questão é que, como dizia Camões, todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades.
Um dia cansamo-nos de ser bons rapazes.

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