AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 29 de junho de 2017

AINDA UMA NOTA SOBRE OS MANUAIS ESCOLARES

O JN aborda hoje a situação levantada pela devolução inúmeros manuais escolares disponibilizados a alunos do 1º ciclo e que não estão em condições de ser reutilizados.
Ao que parece o ME entende que cada agrupamento deverá decidir o que fazer com estes manuais.
Esta situação era previsível. A construção dos manuais é pouco amigável para a sua reutilização como seria de esperar dado o valor económico deste nicho de mercado. Parece-me também claro que a dificuldade da sua reutilização pode aumentar com o uso que lhe é dado e com as suas características.
Não imagino o que possam vir as escolas a fazer com este espólio sendo que um destino possível será a em reciclagem em vez de reutilização.
Talvez esta situação possa contribuir para um processo de reciclagem não do manual mas da utilização do manual.
Tenho afirmado muitas vezes que boa parte do trabalho em muitas salas de aula é excessivamente “manualizado” associado a práticas pedagógicas pouco diferenciadas muito decorrentes de conteúdos curriculares demasiado extensos, prescritivos e normalizadores. Talvez seja uma oportunidade para atenuar uma fórmula que apesar de inúmeras experiências muito interessantes com resultados ainda assenta na ideia de que o professor ensina com base no manual o que o aluno aprende através do manual que o pai acha muito importante porque tem tudo o que professor ensina.
Não é um processo fácil mas creio que seria um caminho positivo no sentido de acomodar a diversidade de alunos, as suas necessidades e diferenças de contexto que dificilmente são acomodadas num manual, por melhor que seja.

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