AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 16 de março de 2017

UM CAMINHO PARA MAIS SUCESSO EDUCATIVO E ESCOLAR

No DN e também no Público refere-se o impacto positivo do trabalho desenvolvido nas escolas no âmbito colaboração com a Associação EPIS. Estão em linha com avaliações anteriores e de outros trabalhos da mesma natureza que se constituem como boas ferramentas de promoção do sucesso educativo e escolar.
É também por isto que o Programa Tutorial que está em desenvolvimento é, potencialmente, um dispositivo interessante conforme já tenho afirmado e as boas práticas nacionais e internacionais vêm confirmando.
A questão é que exigem recursos nem sempre disponíveis em quantidade e adequação ou têm o suporte de estruturas exteriores á escola como é o caso da EPIS, não que seja negativo mas porque não chega a todas escolas.
O Programa de Tutoria em desenvolvimento terá a vantagem de ser operacionalizado pela equipa da escola.
No entanto, como também disse, parece claro que em quatro horas semanais com 10 alunos para um programa de tutoria com o perfil e objectivos definidos e que me parecem adequados, dificilmente me deixa ser optimista quanto a resultados significativos embora, naturalmente, deseje muito que tal aconteça.
Vejamos as funções atribuídas.
a) Reunir nas horas atribuídas com os alunos que acompanha;
b) Acompanhar e apoiar o processo educativo de cada aluno do grupo tutorial;
c) Facilitar a integração do aluno na turma e na escola;
d) Apoiar o aluno no processo de aprendizagem, nomeadamente na criação de hábitos de estudo e de rotinas de trabalho;
e) Proporcionar ao aluno uma orientação educativa adequada a nível pessoal, escolar e profissional, de acordo com as aptidões, necessidades e interesses que manifeste;
f) Promover um ambiente de aprendizagem que permita o desenvolvimento de competências pessoais e sociais;
g) Envolver a família no processo educativo do aluno;
h) Reunir com os docentes do conselho de turma para analisar as dificuldades e os planos de trabalho destes alunos
Quem conhece a realidade das escolas e as problemáticas complexas dos alunos em insucesso, com desmotivação, desregulação de comportamento, ausência de projecto de vida, falta de enquadramento e suporte familiar, lacunas graves nos conhecimentos escolares de anos anteriores, etc., quase sempre presentes e só para referir dimensões relativas aos alunos, percebe a dificuldade de reverter, para usar um termo em voga, o seu trajecto escolar.
À luz do que me parece ser um trajecto de defesa da efectiva autonomia das escolas, preferia que, dando o ME orientação e a possibilidade de gerir e alocar recursos a estes programas, que fossem as escolas a organizar os seus programas de tutoria, definindo destinatários, professores e técnicos envolvidos, tempos de realização e objectivos a atingir.
Caberia, evidentemente, às escolas e ao ME a regulação e acompanhamento dos programas e a sua avaliação.
Sabemos, é uma referência comum, a existência de “constrangimentos” que pesam nos recursos disponíveis.
No entanto, mais uma vez e não esquecendo a necessidade de combater desperdício e ineficácia, é bom recordar que a qualidade da educação e a promoção do sucesso para todos os alunos não representam despesa, são investimento.
Estratégias desta natureza, com comprovada eficácia, deveriam ser uma prioridade em termos de recursos e investimento.
Os custos que envolverão serão certamente compensados pelos custos que pouparão em abandono e exclusão. 

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