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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

OS CUSTOS DA VULNERABILIDADE

Lê-se no JN que segundo as associações e organismos dos consumidores e de doentes, os doentes crónicos e pessoas com deficiência são fortemente penalizadas pelas seguradoras no acesso a seguros de saúde e de vida.
Nada de estranho, a actividade seguradora é um negócio e quanto menos riscos melhor. Dito de outra forma, mais risco atribuído, mais caro o acesso.
A questão é de outra natureza, é os custos para muita gente insuportáveis que as situações de maior vulnerabilidade implicam.
Será provavelmente ingénuo embora simpático quere acreditar que os mercados deveriam ser solidários e socialmente empenhados.
O problema é da comunidade, nosso, e das diferentes lideranças.
Estudos e relatórios recentes têm demonstrado que, para além das dificuldades mais objectiváveis, ainda se verificam enormes custos sociais, não quantificáveis facilmente, envolvidos na vida destes cidadãos e que têm impacto no contexto familiar, profissional, relacional, lazer, etc.
Creio também que é justamente no tempo em que as dificuldades mais ameaçam a generalidades das pessoas que se avoluma a vulnerabilidade das minorias e, portanto, se acentua a necessidade de apoio e de políticas sociais mais sólidas, mais eficazes e, naturalmente, mais reguladas.
Os números sobre o desemprego nas pessoas com deficiência são dramaticamente elucidativos desta maior vulnerabilidade. A vida de muitas pessoas com deficiência é uma constante e infindável prova de obstáculos, muitas vezes intransponíveis, em variadíssimas áreas como mobilidade e acessibilidade, educação, emprego, saúde e apoio social, em que a vulnerabilidade e o risco de exclusão são enormes. Assim sendo, exige-se a quem decide uma ponderação criteriosa de prioridades que proteja os cidadãos dos riscos de exclusão, em particular os que se encontram em situações mais vulneráveis.
As pessoas com deficiência e as suas famílias, bem como outros grupos mais vulneráveis ou fragilizados fazem parte deste grupo.

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