AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

sexta-feira, 20 de maio de 2016

OS PROGRAMAS DE TUTORIA

Como ontem foi anunciado pelo ME, a partir do próximo ano e em substituição do ensino vocacional, será posto em prática um programa de natureza tutorial destinado a alunos com 12 anos e duas ou mais retenções.
O programa é inspirado numa iniciativa holandesa “Too Young to Fail” e pressupõe quatro horas de apoio semanal a grupos de 10 alunos recorrendo preferencialmente a docentes com horários incompletos diminuindo o impacto financeiro da medida.
Segundo o Secretário de estado, João Costa, o programa de tutoria a desenvolver "É apoio ao estudo mas também apoio socioemocional, apoio à relação com a escola, que é muitas vezes o que falha", o professor tutor será a "referência" adulta que parece faltar a muitos alunos.
Como sempre tenho afirmado, os alunos que experimentam dificuldades e insucesso não precisam de ensino vocacional como resposta imediata, precisam de apoios adequados e suficientes e trajectos diferenciados para o seu percurso escolar mas a acontecer na altura certa, final do básico, início do secundário.
Nesta perspectiva o programa tutorial anunciado parece-me um dispositivo muito interessante e com alguma proximidade ao que em algumas comunidades tem sido desenvolvido com bons resultados no âmbito da Associação EPIS. Tem a vantagem de ser desenvolvida pela equipa da escola e não por recursos exteriores ao sistema educativo e, como tal, inexistentes em todas as escolas.
No entanto, e sem ser pessimista, creio que as quatro horas semanais com 10 alunos para um programa de tutoria com o perfil de intervenção definido e que julgo adequado, parecem insuficientes no sentido de possibilitar resultados significativos.
Quem conhece a realidade das escolas e as problemáticas complexas dos alunos em insucesso, com desmotivação, desregulação de comportamento, ausência de projecto de vida, falta de enquadramento e suporte familiar, lacunas graves nos conhecimentos escolares de anos anteriores, etc. quase sempre presentes percebe a dificuldade de reverter, para usar um termo em voga, o seu caminho escolar.
À luz do que me parece ser um trajecto de defesa da efectiva autonomia das escolas, preferia que, dando o ME orientação e a possibilidade de gerir e alocar recursos a estes programas, que fossem as escolas a organizar os seus programas de tutoria, definindo destinatários, professores e técnicos envolvidos, tempos de realização e objectivos a atingir.
Caberia, evidentemente, às escolas e ao ME a regulação e acompanhamento dos programas e a sua avaliação.
No entanto, vamos a ver como irá desenvolver-se o programa de tutoria que de facto me parece uma boa iniciativa.

Sem comentários:

Enviar um comentário