AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 5 de maio de 2016

OS CICLOS DE ENSINO

Lê-se no Público que na IV Convenção Nacional da Federação Nacional da Educação, CONFAP e Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas estará em discussão, entre ouros assuntos, a organização dos ciclos de ensino num cenário de doze anos de escolaridade obrigatória.
Dias da Silva, da FNE, adianta que a proposta de reorganização se direcciona para um modelo de dois ciclos com seis anos cada.
O ajustamento na organização dos ciclos está na agenda, consta do programa do Governo e é uma matéria recorrentemente discutida incluindo pelo CNE.
Também subscrevo a necessidade de mudanças mas, contrariamente ao que é habitual por cá, seria desejável que mudança fosse adequadamente construída através do envolvimento dos diversos agentes, com um calendário e monitorização adequados e com os recursos necessários e que são de diferente natureza.
De uma forma muito breve entendo que uma alteração nos ciclos de ensino deve considerar alguns aspectos.
Em primeiro lugar não realizar-se sem ajustamento na organização curricular, designadamente no que respeita a conteúdos e número de disciplinas.
Deve ser acompanhada de uma real autonomia das escolas.
Deve contemplar a existência de diferenciação de trajectos educativos que não sejam definidos e considerados como de “primeira” e de “segunda”. É fundamental que todos os alunos adquiram qualificação, quer seja para prosseguir estudos no superior, universitário ou politécnico, quer seja para entrar no mundo de trabalho ou em programas de formação profissional mais curtos. Só assim poderão, todos, construir um projecto de vida viável e positivo.
Neste sentido e olhando para o que se passa noutras realidades e nos pode ajudar a pensar, creio que opção ajustada seria a existência de um primeiro ciclo de seis anos assente nas ferramentas de construção do conhecimento e desenvolvimento pessoal, um segundo ciclo de três anos já com algumas disciplinas opcionais que acomodassem motivações e escolhas dos alunos e um terceiro ciclo, o ensino secundário aqui já com vias diferenciadas incluindo formação profissional.
Dois ciclos de seis anos não me parece a melhor opção no sentido de prever trajectos diferenciados.
Aguardemos para verificar o caminho que se irá seguir.

2 comentários:

  1. Completamente de acordo! A pressa nunca foi boa conselheira. As mudanças devem ser pensadas, repensadas monitorizadas e avaliadas. devem também ter em conta a realidade que é o nosso país.

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  2. Vamos ver o caminho que será seguido.

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