AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 9 de abril de 2015

DA IMPLOSÃO DO MINISTÉRIO, DO MINISTRO OU DA EDUCAÇÃO E ENSINO PÚBLICOS

O texto de Paulo Guinote no Público, “O Ministro implodido” fez-me pensar e retornar à curiosidade com que tenho vindo a assistir às reviravoltas opinativas de pessoas com algum reconhecimento público sobre o Ministro da Educação, Nuno Crato, e a sua extraordinária actuação política.
De facto, é notória a "cambalhota", por assim dizer, de pessoas como Carlos Fiolhais, por exemplo, que passaram de discursos laudatórios sobre Nuno Crato e as suas opiniões sobre educação para posições arrasadoras sobre a sua actuação. Aliás, registo a mudança no mesmo sentido do discurso que poderemos designar como "editorial" do Público, recordo o tempo de José Manuel Fernandes, sobre a mesma questão.
Tenho para mim, fui falando sobre isso ao longo destes anos, que a visão de Nuno Crato sobre a educação era conhecida e, por isso, não surpreendente. Creio, aliás, que boa parte das apreciações positivas que lhe eram feitas decorriam sobretudo da sua reacção às políticas desenvolvidas na altura, sobretudo durante a perturbadora e pouco competente passagem de Maria de Lourdes Rodrigues pela 5 de Outubro, do que da percepção mais profunda do que verdadeiramente Nuno Crato defendia. Ficou para a história a célebre afirmação sobre a implosão do Ministério de que Paulo Guinote hoje parte no seu artigo. Os resultados estão à vista.
Os tempos mais recentes "apenas" mostram os aspectos operacionais da sua visão sobre educação e uma enorme incompetência na gestão de processos onde era suposto não falhar quem erguia como bandeiras a excelência, o rigor e a competência.
Mais do que retomar a implosão do Ministério ou a implosão do Ministro julgo que é de questionar a implosão da educação e ensino públicos que tem informado a política de Nuno Crato.
Em Julho de 2014 Nuno Crato afirmava à Lusa ser difícil implementar reformas num "sistema muito centralizado, muito dependente do Estado, onde os professores são funcionários públicos".
O enunciado não é surpreendente mas clarifica a missão do Ministro, a implosão do sistema público de Educação.
Entende Nuno Crato que um sistema centralizado é negativo. Estou de acordo. Então que se promova seriamente um reforço da autonomia das escolas, que se promova a desburocratização de processos. Acontece que esta centralização, burocracia controleira e o fingimento de autonomia em que o sistema vive são promovidas e alimentadas justamente pelo ... MEC.
Diz também que é um sistema dependente do Estado e os professores são funcionários públicos, dois pecados mortais. Acontece que é justamente esta tutela do estado relativa ao sistema e aos recursos que lhe confere, também, o carácter de "sistema público" de educação e ensino.
É clara a política de Nuno Crato e nesta altura começa do meu ponto de vista a colocar-se uma outra questão, a herança que a actuação de Nuno Crato irá deixar no sistema educativo português. Qual será? Que fazer com essa herança?
Creio que nos esperam, para não variar, dias agitados na educação.

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