AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

segunda-feira, 28 de abril de 2014

PREVISÕES, PREVISÕES, PREVISÕES. E AS PESSOAS PÁ?

"Austeridade de 30 mil milhões não chegou para cumprir meta do défice"


30 000 milhões de euros em austeridade depois, mais 12 000 milhões que o previsto, o défice público baixou mas longe das previsões e a dívida pública subiu muito significativamente, também contra as previsões.
A este "pequenino" desvio das previsões relativas ao objectivo dos objectivos, reduzir o défice e a dívida pública, acresce que o desemprego, a exclusão e pobreza, a assimetria social, o abaixamento do rendimento das famílias através de uma brutal subida de impostos e de cortes em salários, pensões e reformas também não corresponderam às previsões, teimosa e deselegantemente, subiram a níveis inaceitáveis.
A realidade, sempre a realidade, que teima em não caber na folha de Excel na qual assentam os modelos, vai promovendo o falhanço de sucessivas previsões globais.
Lembro-me de um trabalho já de há alguns meses no I sobre o que designou por o "mundo delirante das previsões da troika" centrado, naturalmente na falha clamorosa de todas as previsões elaboradas pelos especializados e geniais técnicos que administram o país exemplificando com dados relativos ao défice, ao crescimento ou ao desemprego.
Sabemos da falibilidade da obra humana mas é demasiado grave que estes gurus acompanhados, pelos seus adjuntos internos, definam um conjunto de políticas gravosas, promotoras de exclusão e pobreza assentes em falhas inaceitáveis dos seus modelos de análise e que de tal processo não se extraia uma conclusão óbvia, é necessário e urgente redefinir modelos e políticas mas na qual, como parece óbvio, os adjuntos internos da troika não estão minimamente interessados.
O resultado de tudo isto é uma persistência cega e surda e uma inabalável fé nos seus falíveis modelos, traduzidas no “custe o que custar", no cumprimento dos objectivos do negócio com a troika e mesmo na definição de objectivos de uma política "over troika", atingindo claramente o limite do suportável afectando gravemente as condições de vida de milhões. Estamos a falar de pessoas, não de políticas, ou melhor, estamos a falar do efeito das políticas na vida das pessoas.
Este "mundo delirante das previsões" da troika e dos feitores portugueses, seria um bom exemplo da conhecida metáfora do burro meteorologista, não fora a tragédia que causa na vida de milhões de pessoas.
Ao que parece, os deuses mercados têm dados sinais positivos nos últimos tempos sustentando enunciados como "o País está melhor" embora as pessoas ainda não notem. Vamos então esperar que os deuses mercados se acalmem, andaram muito nervosos e instáveis, se tornem misericordiosos e tenham piedade de nós.

Nós portámo-nos bem, empobrecemos mesmo, já merecíamos uma atençãozinha. 

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