AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O FUTURO NÃO MORA AQUI

"Inquérito a cientistas portugueses mostra que 46,4% quer emigrar ou já emigrou"

Considerando o trajecto recente do desinvestimento em ciência e investigação em Portugal estes dados não supreendem mas são profundamente inquietantes.
Por outro lado e como é reconhecido, de uma forma geral, o ensino superior e a investigação em Portugal têm uma qualidade que internamente nem sempre é reconhecida e que se evidencia na frequência com que em diversas áreas se assiste à contratação de jovens que estudaram em Portugal para trabalho em empresas ou em investigação em diferentes países, onde se incluem, por exemplo, a Inglaterra, a Alemanha ou os Estados Unidos que não são propriamente países com baixo nível de desenvolvimento científico.
Neste quadro, torna-se ainda mais preocupante a partida para o estrangeiro de muitos milhares de jovens, com formação superior de elevada qualidade, porque em Portugal um projecto de vida viável e bem sucedido é uma miragem. Este êxodo tem, obviamente, com profundas consequências para um país como Portugal.
Em primeiro lugar, porque sendo um país com uma fortíssima necessidade de qualificação nas empresas, vê partir os que mais preparados estariam o que terá, evidentemente, um impacto económico significativo. Aliás, é curioso que membros do Governo como Pires de Lima, Nuno Crato ou o Primeiro-ministro sublinham recorrentemente a imperiosa necessidade de promover emprego qualificado para o desenvolvimento de um país como o nosso. Curiosamente, este entendimento é subscrito por um Governo com forte responsabilidade pela emigração forçada de milhares de jovens com formação superior, designadamente trabalhadores na área científica, que não vislumbram o futuro em Portugal.
Em segundo lugar, porque importa não esquecer que os custos da formação dos jovens qualificados em Portugal são suportados por todos os nós no caso do ensino público e das famílias ou dos próprios na formação em estabelecimentos privados embora, considerando também o ensino público, os custos para as famílias na frequência de ensino superior em Portugal seja dos mais altos na Europa. Isto significa que Portugal, o estado e as famílias, suporta os custos da formação e os outros países aproveitam essa qualificação uma vez que os jovens não conseguem desenvolver o seu trabalho  em Portugal.
Estamos a cuidar mal do nosso futuro.

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