AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A REALIDADE ESTÁ ENGANADA

"“A política que foi seguida foi a que o realismo impunha”, defende-se Passos Coelho"

Como repetidamente tenho escrito, torna-se muito difícil entender a persistência insensível e insensata, cega e surda, neste caminho de “custe o que custar", no cumprimento dos objectivos do negócio com a troika e dos objectivos de uma política "over troika", atingindo claramente o limite do suportável e afectando gravemente as condições de vida de milhões de milhões. Estamos a falar de pessoas, não de políticas ou números, ou melhor, estamos a falar do efeito das políticas na vida das pessoas.
Com uma cumplicidade e fidelidade canina que embaraçam, os feitores e os donos dos destinos conceberam, concebem, uma devastadora situação da qual releva o aumento brutal de situações de pobreza, bem acima das estatísticas oficiais, o aumento fortíssimo do desemprego e do número de pessoas desempregadas sem subsídio de desemprego, o abaixamento dos apoios sociais, a pobreza a afectar crianças e idosos, sempre os grupos mais vulneráveis, a manutenção de simetrias gritantes na distribuição da riqueza, enfim, um inferno para milhões de portugueses.
Creio que já ninguém consegue sustentar a insistência neste caminho. Aliás, até mesmo do FMI se ouviram vozes contestando o "excesso de austeridade" e são conhecidas as falhas nas previsões e modelos econométricos que iluminam as políticas seguidas.
Na verdade, o caminho decidido, por escolha de quem o faz, é bom registar que existem alternativas, está a aumentar assimetrias sociais e obviamente a produzir mais exclusão e pobreza mas, insisto, mais preocupante é a insensibilidade da persistência neste caminho.
Com este terramoto social e económico ainda se insiste no discurso do “bom caminho”, do "único caminho". Isto indigna até à raiva, nós estamos pobres e vamos continuar pobres.
Nós precisamos de combater a assimetria da distribuição da riqueza e produzir mais riqueza, precisamos de combater mordomias e desperdício de recursos e meios ineficientes e muitas vezes injustificados que alimentam clientelas e interesses outros. Nós precisamos de combater a teia de protecção legal e política aos interesses dos mercados e dos seus empregados que conflituam com os interesses das pessoas.
O que precisamos é de coragem e visão sem subserviência ao ditado dos mercados e dos seus agentes para definir modelos económicos, sociais e políticos destinados a pessoas e não a mercados ou a grupos minoritários de interesses.

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