AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

OBRIGADO E PARABÉNS, CERCI(S)

A FENACERCI vai receber o Prémio Direitos Humanos 2013, da Assembleia da República como reconhecimento do seu trabalho com pessoas com deficiência intelectual.
Há umas dezenas largas de anos, sendo um jovem estudante do ensino superior em busca de um projecto de vida ligado ao universo das pessoas diferentes, a única "certeza" que possuía na altura, na escola que frequentava apareceu alguém, o Dr. António Oliveira Cruz, a apresentar algo de novo, uma instituição que estava a nascer em Lisboa, por iniciativa de alguns técnicos e pais de crianças com deficiência, dedicada a proporcionar educação a estas crianças que na altura não tinham lugar nas escolas regulares.
É isto que eu procurava, pensei. No dia seguir estava a bater à porta da CERCI de Lisboa que estava a preparar a abertura do segundo Centro em Chelas, depois do que tinha em funcionamento nos Olivais.
Iniciei pois na CERCI de Lisboa, em meados de 70, a minha narrativa profissional num universo que ainda hoje, em contexto diferentes, é a minha vida e a minha paixão.
Por lá estive uns anos, a aprender, estávamos todos a aprender, com um grupo de gente fabuloso, com miúdos, jovens e adultos que nos exigiam o tudo face ao nada que tinham. Colaborámos ainda na abertura de outras CERCIS em tantos outros locais de Portugal sempre com a missão de disponibilizar dignidade e educação a crianças e jovens com deficiência e apoio às suas famílias.
Entretanto, a vida foi-me levando para outros rumos mas sempre em ligação a este mundo.
O trabalho que as CERCIS, enquadradas pela FENACERCI, têm vindo a realizar, sempre em desenvolvimento e acompanhando mudanças nas ideias e nas necessidades, em prole dos mais vulneráveis e fragilizados, a população com deficiência e as suas famílias, justificam o Prémio Direitos Humanos 2013 da Assembleia da República. Num tempo em que as minorias são as mais expostas e vulneráveis aos efeitos de uma onda de dificuldades que se abateu sobre nós, é ainda mais relevante e importante este trabalho.
Não posso, pois, deixar de felicitar a FENACERCI e agradecer à CERCI de Lisboa o privilégio que que me deu de ali aprender a ser gente.
 

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