AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

sábado, 30 de novembro de 2013

O TEMPO DA AZEITONA

Tarefa concluída no Meu Alentejo, a azeitona está colhida e entregue no lagar. Este ano foi melhor que o ano passado, mas ainda assim perdeu-se uma parte da azeitona que estava nas oliveiras. Os dois anos anteriores foram bastante melhores e o azeite foi, é, excelente.
A apanha da azeitona, ainda usamos o velho método, é coisa brava, vá que está frio e sempre se aquece. Os braços ficam moídos de varejar e carregar mas impressionante mesmo, é ver a resistência do Velho Marrafa, homem de mais de setenta anos e que ainda tem a gentileza e generosidade de me deixar trabalhar com a vara mais leve, ameaçando seriamente a minha auto-estima mas protegendo os meus braços e costas.
O Velho Marrafa tem um entendimento que eu não me atrevo a discutir sobre a apanha da azeitona aqui no monte, isto é, ao mesmo tempo que se apanha a azeitona procede-se à limpeza das oliveiras. O resultado é que me transformo num agricultor em apuros, estendem-se os panos, colhe-se a azeitona numa catártica actividade de varejamento, corta-se o que há a cortar nas árvores com a motosserra, ensaca-se e carrega-se no tractor. Depois lá vamos a caminho do lagar para a pesagem e entrega. Para depois ficará tratar da lenha sobrante, esgalhar os ramos e traçar a mais grossa para a lareira e salamandra, nada se perde.
O tempo de espera no lagar passa-se nas lérias e os temas de conversa vão surgindo mas quase sempre, não podia deixar de ser, andam à volta dos enleios e das molengas em que a vida da gente se transformou e da pouca rentabilidade que tanto trabalho dá.
Acho que só lá para o fim de Janeiro, quando voltar ao lagar para buscar o azeite, com o ambiente quentinho das enormes salamandras que impede o azeite de coalhar e o cheirinho inconfundível do azeite novo é que me vou esquecer das agruras da apanha da azeitona.

2 comentários:

  1. Sou um devorador de azeitonas (quando boas). Hoje pela manhã comprei 1 Kg com intenção de enfeitar um belíssimo bacalhau á gomes sá com 1 dúzia desse saboroso fruto drupáceo. Apenas restam 1/2 dúzia no fundo de uma saladeira.

    Por isso nutro uma especial simpatia por quem a produz.

    Que nunca lhe doam os braços nem as costas nas lides do apanho é o meu sincero desejo!


    VIVA!

    ResponderEliminar
  2. Meu caro
    Leio-te e fico sem jeito. Sem saber como disfarçar a miséria do meu desconforto. É que há 3 anos que a minha azeitona fica nas árvores. Digamos que espero que caia, para poder fazer às oliveiras o que o Marrafa faz ás tuas - limpá-las. É que o lagar onde as entregava, quando depois passava a recolher o azeite, punha-me a eterna questão: que acidez quer? Aí, então, é que a coisa se fundia em 'sonho desfeito' já que (não sei se no teu lagar também é assim), quanto menor a acidez MENOR A QUANTIDADE do precioso líquido. Ora, estarás tu já a antever o resultado, o que aconteceu foi que minguou tanto (mas tanto) a quantidade final que de lá trazia, que se tornou doloroso, quando dias depois, aqui no LIDL, encontrava o dito tempero à venda por pouco mais de 2 euros. Então, ó vã glória, ó escusadas dores de costas, ó triste dignidade esta que me concede o meu hóbi de praticante de agricultor. Deixo assim que o tempo desfaça nas árvores o cansaço e a ilusão que nelas antes colhia. Abraço e desejos de boa colheita.

    ResponderEliminar