AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

terça-feira, 18 de junho de 2013

O DESEMPREGO. Choque e pavor

Cavaco afirma que 17,7% de desemprego é "uma taxa que assusta a todos nós", no Público.
Por curiosidade e comparação com a taxa oficial de desemprego em Portugal, 17,8%,  a taxa média de desemprego no grupo de países da OCDE é de 8% e na União Europeia 11%, sendo que na Alemanha é inferior a 5.5%. É ainda relevante recordar os 42.5% de jovens afectados pelo desemprego.
Estes são os números que de acordo com Cavaco Silva preocupam todos. Não é verdade, lamento mas, respeitosamente, à cautela, não é verdade.
Passos Coelho e os seus geniais colaboradores não parecem verdadeiramente preocupados.
Vítor Gaspar insiste, para alem das análises ao impacto da meteorologia, que estamos no bom caminho e o geniozinho Carlos Moedas, há alguns dias, para justificar o que está a ser feito na nossa economia, afirmou que as pessoas “só acabam com os maus hábitos quando enfrentam choques”.
Na verdade, um milhão de meio desempregados incluídos em perto de três milhões de portugueses estão a acabar com os maus hábitos que tinham e que nos arrastaram para o inferno que atravessamos.
Muitos portugueses ficam em casa, não saem para o trabalho e poupam nos transportes perdendo o mau hábito de andar todos os dias.
Muitos portugueses passam dificuldades em satisfazer necessidades básicas como alimentação, luz e água, perdendo os maus hábitos que adquiriram de comer a todas as refeições, terem a luz acesa, usarem o gás para cozinhar e tomar um duche por dia.
Muitos miúdos chegam com fome à escola, perdendo os maus hábitos alimentares que os estavam a levar à ameaçadora obesidade.
Muitos velhos, ainda hoje a imprensa referia, não compram os medicamentos que lhes são prescritos e perdem os maus hábitos  de se intoxicarem com medicamentos.
Muitos portugueses estão a deixar de recorrer aos serviços de saúde por falta de meios,  perdendo o mau hábito de usarem as salas de espera dos serviços como programa de ocupação de tempos livres.
Muitos jovens não acedem ao sonho da independência na habitação e a um projecto de vida com filhos perdendo o mau hábito de querem ter uma família e uma casa para viver.
Finalmente também me parece preocupante a retórica inconsequente do Presidente da República.

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