AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

OS INSULTOS, OS LIMITES, OS CONTEXTOS, AS RAZÕES

Ao que parece, o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas mandou instaurar um inquérito ao aluno que terá insultado o Primeiro-ministro quando esteve na escola para participar na homenagem ao Professor Adriano Moreira.
Como é evidente, o convívio entre pessoas pressupõe regras de urbanidade  que inibem alguns comportamentos, estabelecendo limites para lá dos quais se corre o risco do ilícito criminal.
Por outro lado, as circunstâncias, os contextos de ocorrência dos comportamentos são variáveis de considerar e, frequentemente, são consideradas atenuantes ou agravantes de comportamentos que não devem ser analisados sem essas variáveis contextuais.
Serve esta introdução para dizer que, não conhecendo os insultos proferidos pelo estudante em causa, pressuponho que não serão mais graves dos que ouvimos em directo ou nas reportagens sobre manifestações de protesto sem que daí advenham "inquéritos" aos autores desses insultos.
Por aquilo que se conhece da situação, o aluno proferiu os insultos como reacção às políticas desenvolvidas por um Governo ali corporizado na sua figura principal, ou seja, presumindo que o aluno nem conheça Passos Coelho, o aluno não está a insultar o cidadão mas as políticas que ele representa e de que é responsável.
Neste contexto, a reacção a políticas é com alguma frequência marcada por recções de natureza emocional que não branqueando ou desculpando essas reacções solicitam, do meu ponto de vista, leituras mais cautelosas. Aliás, se bem atentarmos nos testemunhos recolhidos em manifestações ou protestos é bastante clara a carga emocional que envolve os comportamentos observados e que se traduzem em comportamentos extremados como verificamos na Grécia, em Espanha ou no extremo do recurso à tragédia das imolações ou do suicídio como forma de protesto.
Por outro lado, importa não esquecer, que muitos de nós se sentem diariamente insultados, não pelo cidadão Passo Coelho, mas por um Governo que nas suas escolhas tem produzido desemprego, pobreza e exclusão. Se a este cenário devastador e perturbador das pessoas, não é por acaso que aumentam exponencialmente os casos de perturbações depressivas ou da ansiedade, juntarmos comportamentos e declarações sucessivas de altos responsáveis da área do Governo que são absolutamente insultuosas da dignidade e da inteligência das pessoas, está criado um caldo de cultura potencialmente explosivo e onde facilmente germinam os excessos.
Estes excessos podem não ficar-se por um desbocado insulto, quem semeia ventos colhe tempestades.

PS - O aluno foi advertido. Passos Coelho também tem sido advertido. Vamos ver a evolução.

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