AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O CONTRATO ÉTICO

Não é nada de novo o entendimento de que as circunstâncias de vida pelas quais as pessoas e as famílias passam têm um reflexo fortíssimo, positivo ou negativo, na vida dos miúdos e no seu crescimento saudável em todas as dimensões. Aliás, os estudos e os dados mostram que os mais novos e os mais velhos são justamente os grupos etários mais vulneráveis aos risco da pobreza.
Nos tempos duros que correm são frequentes as referências às graves dificuldades que muitas famílias atravessam, sobretudo decorrentes do desemprego, aumentam exponencialmente as situações de desemprego que afectam ambos os progenitores, o corte nas prestações sociais e mesmo no acesso a alimentação de qualidade que levou a que as escolas providenciem pequeno almoço e refeições a um número crescente de crianças.
Sendo certo que os problemas dos pais são importantes, é, por outro lado, fundamental perceber e estar particularmente atento aos efeitos para as crianças que estes tempos de chumbo inevitavelmente produzirão, insisto, em diferentes dimensões do seu crescimento e funcionamento.
Na verdade, cada criança que nasce, e nascem cada vez menos, deveria levar a comunidade a estabelecer com essa criança um contrato ético através do qual a comunidade se obriga a providenciar cuidados e educação de qualidade nos diferentes contextos de vida da crianças, designadamente na família e na escola. Na terminologia em inglês pode utilizar-se uma síntese significativa e curiosa, "educare", envolvendo "education" e "care".  
A comunidade, nós, nos diferentes patamares em que funcionamos e decidimos, não podemos falhar no cumprimento deste contrato ético.
No fundo, como diz o cancioneiro e dirá cada criança, eu só quero o que me é devido, por me trazerem aqui, eu nem sequer fui ouvido, no acto de que nasci.

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