AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A CONCLUSÃO DO SECUNDÁRIO E O ACESSO AO SUPERIOR DEVERIAM SER PROCESSOS SEPARADOS

Continua em aberto em situação criada pela decisão judicial de manter a situação que permite o acesso ao ensino superior de alunos do ensino recorrente em condições mais vantajosas que os alunos do ensino regular.  O MEC, que tinha alterado o processo o que motivou o processo judicial, recorreu da decisão e os alunos do ensino regular protestam por se sentirem discriminados e garantiu agora que serão criadas vagas adicionais para alunos do ensino regular "prejudicados" no acesso.
Não sendo a primeira vez que comento esta matéria, retomo algumas notas que, apesar das alterações introduzidas pelo MEC, continuam, do meu ponto de vista, oportunas.
Na verdade, este tipo de situações radica numa questão central, a conclusão e certificação de conclusão do ensino secundário e a candidatura ao ensino superior deveriam ser processos separados.
Os exames nacionais destinam-se, conjugados com a avaliação realizada nas escolas, a avaliar e certificar o trabalho escolar produzido pelos alunos do ensino secundário e que, obviamente, está sediado no ensino secundário. Neste cenário caberiam as outras modalidades que permitem a equivalência ao ensino secundário, como é o caso do ensino recorrente.
O acesso ao ensino superior é um outro processo que deveria ser da responsabilidade do ensino superior e estar sob a sua tutela.
A situação existente, não permite qualquer intervenção consistente do ensino superior na admissão dos seus alunos, a não ser a pouco frequente definição de requisitos em alguns cursos, o que até torna estranha a passividade aparente por parte das universidades sempre tão ciosas da sua autonomia. Parece-me claro que o ensino superior fazendo o discurso da necessidade de intervir na selecção de quem o frequenta não está interessado na dimensão logística e processual envolvida.
Os resultados escolares do ensino secundário deveriam constituir apenas um factor de ponderação a contemplar nos processos de admissão organizados pelas universidades como, aliás, acontece em muitos países.
Sediar no ensino superior o processo de admissão minimizaria muitos dos problemas conhecidos decorrentes do facto da média do ensino secundário ser o único critério utilizado para ordenar os alunos no acesso e eliminaria o “peso” das notas altíssimas concedidas, com frequência, no ensino recorrente. Todos nós conhecemos os clássicos exemplos de alunos que se dirigem a medicina porque as suas altíssimas notas assim o sugerem, acabando por reconhecer não ser esse o seu caminho e, por outro, um potencial excelente médico que deixará de o ser porque por três vezes ficou a décimas da média de entrada.
Enquanto não se verificar a separação da conclusão do secundário da entrada no superior corremos o risco de lidar com situações desta natureza.

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