AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quarta-feira, 25 de julho de 2012

1,8 MILHÕES DE PORTUGUESES EM RISCO DE POBREZA TALVEZ NÃO CONCORDEM

Passos Coelho afirmou hoje que não é o Governo que está a "exigir demais" ao País, a questão é que o tempo "é muito exigente". Esta afirmação destina-se a contrariar as vozes, pouquíssimas, aliás, que entendem que estamos esmagados com as medidas de austeridade, em algumas dimensões mais pesadas do que as impostas pela troika e diligentemente operadas por quem nos governa.
Quando o Primeiro-ministro fala em não estar a exigir demais ao País, deveria corrigir, não está a exigir demais a uma parte, pequena, do País. Esta pequena parte não sofre exigências excessivas.
Por outro lado e na verdade, à maior parte do país está a exigir demais. Relembro um estudo de há meses divulgado pela Comissão Europeia que analisou a distribuição dos efeitos dos programas de austeridade os países que experimentam maiores dificuldades, Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda, Estónia e Reino Unido, conclui que Portugal "é o único país com uma distribuição claramente regressiva", traduzindo, os pobres estão a pagar mais do que os ricos quando se aplica a austeridade. Pode ainda ler-se que nos escalões mais pobres, o orçamento de uma família com crianças sofreu um corte de 9%, ao passo que uma família rica nas mesmas condições perdeu 3% do rendimento disponível.
Portugal é ainda de acordo com o relatório, o único país analisado em que "a percentagem do corte (devido às medidas de austeridade) é maior nos dois escalões mais pobres da sociedade do que nos restantes". A Grécia, que tem tido repetidos pacotes de austeridade, apresenta uma maior equidade nos sacrifícios implementados.
Este dado parece-me extremamente relevante nesta discussão sobre a eventual necessidade de mais "austeridade" e mostra, de acordo com a percepção comum, que não existe equidade na repartição dos sacrifícios.
O relatório recente do INE sobre Condições de Vida mostra também o aumento das assimetrias e o acentuar do risco de pobreza, afecta 1,8 milhões de cidadãos.
Tal quadro contraria o discurso oficial de que existe justiça social nas medidas de austeridade Evidencia também, o que é verdadeiramente insustentável, que as políticas assumidas, por escolha de quem decide, estão a aumentar as assimetrias sociais, a produzir mais exclusão e pobreza.
Também preocupante, parece ser a insensibilidade da persistência na defesa deste caminho, como ainda hoje ficou patente nas palavras de Passos Coelho.

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