AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

UMA VISÃO PARA EUROPA

O presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, criticou a aposta de Portugal nos investimentos angolanos considerando que, assim, “o futuro de Portugal é o declínio”. Independentemente da minha opinião pessoal sobre a questão angolana, parece-me que pode ser discutida a opinião do presidente do Parlamento Europeu.
Uma primeira nota para subscrever as preocupações genéricas manifestadas por Martin Schulz face aos caminhos que o modelo político e económico da União Europeia estão a tomar. Os tempos mais recentes são a evidência da falta de um projecto político assente na solidariedade e coesão política, económica e financeira.
No entanto, em termos mais específicos, creio que se justificam algumas notas. Começa a ser habitual que altos responsáveis alemães entendam por bem perorar sobre a política interna de outros países subscrevendo entendimentos ou propostas que começando com uma intrusão em assuntos internos, muitas vezes, comprometem a soberania dos países alvo das apreciações. Tem sido assim, designadamente com a Grécia e agora chegou a vez a Portugal. Como é evidente não está em causa a liberdade de opinião, está em causa o que representam estes discursos enunciados por responsáveis políticos de relevo.
Esta alta figura da União Europeia não expressou particulares preocupações com a coesão e o risco de declínio dos países mais pequenos em função do domínio do eixo franco-alemão nos destinos da UE. Os sucessivos planos de ajuda a países em dificuldade, um excelente negócio para a banca alemã, não parecem constituir uma preocupação para Martin Schulz. Expressa ainda uma preocupação com a coesão da Europa mas as políticas dominantes das efectivas lideranças europeias, Merkel e Sarkozy, não têm sido propriamente favoráveis a essa coesão e a voz dos responsáveis políticos da UE em Bruxelas não é muito ouvida. A agenda da Senhora Merkel, tal como agora a de Sarkozy, tem sido mais preenchida com as suas dificuldades internas, o que não é estranho, do que com a coesão da UE e o desenvolvimento dos países mais pequenos embora, provavelmente, à luz da "real politik" se tenha deslocado recentemente à China, certamente pelas mesmas razões que Passos Coelho foi a Angola, atrás do dinheiro como, aliás, Schulz afirma.
Este episódio é apenas mais um bom exemplo da ausência de um projecto europeu, com visão assente na coesão política, económica e financeira, servido por lideranças sólidas que saibam conciliar interesses nacionais com interesses europeus.

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