AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

OS FOGOS, COMO SEMPRE

Apesar de alguma aparente evolução, quando chegam os primeiros dias de calor a sério surgem os fogos, sempre.
Este ano, ao que parece os meios disponíveis diminuíram e as condições climatéricas têm sido genericamente favoráveis, não tem havido calor em excesso apesar de muitos dias ventosos. Todos os anos somos informados de melhorias nos dispositivos de prevenção e combate, no aumento de meios à disposição, etc. Entretanto, quando a comunicação social, de forma frequentemente desajeitada, começa a mostrar o "terreno", o "cenário dantesco", a ouvir "moradores que passaram uma noite em branco", a ouvir o "senhor comandante dos bombeiros", a referir os "meio aéreos, dois Canadairs e um Kamov", a ouvir os "responsáveis locais ou regionais da protecção civil", parece um filme sempre visto e sem surpresas. É evidente que temperaturas muito altas e vento são condições desfavoráveis e que a negligência e delinquência dão um contributo fortíssimo ao inferno que sobressalta cada Verão.
Sem nenhuma espécie de conhecimento destas matérias, para além do interesse e preocupação de um cidadão atento e preocupado com os custos enormes destes cenários de destruição, tenho alguma dificuldade, considerando a dimensão do nosso país, em compreender a inevitabilidade destes cenários. Os espanhóis têm por costume afirmar que os incêndios se combatem no inverno, nós combatemo-los no inferno.
Trata-se de um destino que não pode ser evitado? Trata-se de uma área de negócios, a fileira do fogo, que, pelos muitos milhões que envolve, importa manter e fazer funcionar sazonalmente? Trata-se "só" de incompetência na decisão política em termos de resposta e prevenção? Trata-se da falência de modelos de desenvolvimento facilitadores de desertificação e abandono, designadamente das área rurais?
Acresce que em Portugal passamos o ano todo a apagar fogos de diferentes naturezas e implicações.

Sem comentários:

Enviar um comentário