AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A HISTÓRIA DO GATO ARREDIO

Era uma vez um gato. Como todos os gatos era muito independente e este gostava ainda mais que os outros de se sentir independente. Pensava para consigo que não queria precisar de ninguém e não queria que ninguém precisasse dele. Assim, quando conhecia alguém de novo, gato ou pessoa, tentava não se aproximar muito para não correr o risco de ficar a gostar, ele dizia precisar. Também se esforçava, achava ele, para que quem de novo aparecesse não ficasse a gostar dele, precisar como ele pensava.
Um dia, daqueles dias frios e com chuva, o gato olhou para dentro de si e viu uma solidão muito grande, maior que ele, e de fora ninguém se aproximava para tentar entrar. Sentiu-se o gato mais infeliz do mundo.
Há muitas pessoas assim, com medo de gostar dos outros e com medo de deixar os outros gostar de si. Fazem da sua vida uma espécie de jogo infantil do “toca e foge”.
Um dia deixam de tocar e já não precisam de fugir. Ninguém vem atrás.

2 comentários:

  1. "Eu quis amar mas tive medo,
    E quis salvar meu coração
    Mas o amor sabe um segredo,
    O medo pode matar o seu coração"

    Água de Beber, música Tom Jobim & letra Vinícius de Moraes

    Abraço
    António Caroço

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