AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

SE CUIDAR É CARO, FAÇAM CONTAS AO DESCUIDAR

Sob o mesmo título algumas notas sobre as opções em matéria de cortes orçamentais. Nas situações em que se torna necessário proceder a redução de despesas coloca-se obviamente a questão dos critérios ou prioridades a seguir nesse esforço de redução. Não se trata de uma situação fácil, mas na verdade a qualidade das lideranças e das suas decisões aferem-se melhor em contextos de maior dificuldade.
Serve esta introdução para referir o facto de que em virtude dos limites orçamentais o Instituto da Droga e da Toxicodependência refere uma enorme preocupação com o impacto dos cortes na sua esfera de intervenção. Muito provavelmente, refere-se no Público, proceder-se-á ao encerramento de estruturas, redefinição de horários de atendimento ou a diminuição de recursos humanos como há poucos dias foi noticiado envolvendo cerca de 200 técnicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais, que integravam as unidades de tratamento de proximidade com resultados positivos reconhecidos.
O presidente do IDT embora aceitando o impacto negativo procura não sobrevalorizar a situação. Por outro lado, sem o peso da hierarquia a condicionar opiniões, os especialistas referem as consequências negativas de tal decisão e teme-se que a situação de crise e a diminuição de apoios possa potenciar casos de recaídas bem como o aumento dos comportamentos de consumo.
Existem áreas de problemas nas comunidades em que os custos da intervenção são claramente sustentados pelas consequências da não intervenção. A toxicodependência é uma dessas áreas. Um quadro de toxicodependência não tratado desenvolve-se habitualmente, embora possam verificar-se excepções, numa espiral de consumo que exige cada vez mais meios e promove mais dependência. Este trajecto potencia comportamentos de delinquência, alimenta o tráfico, reflecte-se nas estruturas familiares e de vizinhança, inibe desempenho profissional, promove exclusão e guetização. Este cenário implica por sua vez custos sociais altíssimos e difíceis de contabilizar.
Costumo dizer em muitas ocasiões que se cuidar é caro façam as contas aos resultados do descuido. Assim sendo, dificilmente se entendem algumas opções.

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