AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

NÓS E OS CENTROS COMERCIAIS

Deixando de lado esta espécie de estação de compostagem em que se transformou o debate político em Portugal, recebendo toda a gama de resíduos e lixo discursivo que as centrais partidárias insistem em produzir, mas sem grande esperança na sua reciclagem, achei curioso um estudo de uma consultora europeia divulgado no DN sobre os centros comerciais.
Diz o estudo que Portugal é o quinto país da Europa que mais área comercial inaugurou no 1º semestre deste ano e que em 2008 bateu um recorde de crescimento. De sublinhar que estamos em plena crise e que, enquanto no resto da Europa se verifica uma baixa no investimento neste sector, em Portugal aumenta. Estes dados podem causar alguma perplexidade mas apenas a quem não nos conheça. Vejamos.
Para nós portugueses um centro comercial não é apenas um espaço, maior ou menor, onde se realizam compras. Aliás, comprar o que quer que seja, está cada vez mais difícil por razões óbvias, daí as lojas com pouca gente e os corredores cheios. Um centro comercial é um espaço de ocupação de tempos livres. Como vários estudos mostram, Portugal tem um baixo consumo de actividades de lazer no exterior, de actividades desportivas e de actividades culturais. É nos centros comerciais que gastamos boa parte dos nossos tempos livres o que os transforma em excelentes ATLs. Para os reformados e, sobretudo, para a população escolar em tempo de férias são uma excelente alternativa para as famílias e com custos relativamente baixos, o hamburger e a cola para o almoço e a miudagem passa lá o dia. Com o fim dos cafés tradicionais os centros comerciais ocupam também uma boa parte desse espaço de convívio e tertúlia, quando precisamos de nos encontrar com alguém á fácil marcar o encontro para qualquer espaço no centro comercial com a enorme vantagem de ter estacionamento disponível.
Uma outra razão prende-se com a falta de qualidade genérica da construção para habitação em Portugal. As nossas casas estão mal preparadas, quer para o frio, quer para o calor. Assim sendo, que melhor e mais confortável espaço para se passar o tempo que um climatizado centro comercial, com bancos para descanso, palmeiras em plástico, água a correr em fontes, sempre fresquinho no verão e quentinho no inverno.
Por estas e outras razões se percebe que para 2010 se preveja a continuação do investimento em novas superfícies comerciais. Ainda bem.

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