AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

terça-feira, 26 de maio de 2009

REALITY SHOW

Já comentei neste espaço a situação da menina que foi deportada para a Rússia, para uma família que não conhece e não reconhece, tentando comunicar numa língua que não fala. As notícias sobre esta tragédia continuam, a televisão russa mostra a menina a levar umas bofetadas “educativas” dadas pela mãe! Ao que parece a menina está muito mimada, é assim, cá no burgo mimam-se muito as crianças. Parece ainda que se irá realizar um espectáculo televisivo com a presença do casal português que recebeu a criança até à sua viagem para a Rússia pelo que se imagina uma cena interessante e mais um excelente “reality show”. De perplexidade em perplexidade.
Este caso, da maneira como se desenrola, com visibilidade mediática, permite perceber a irresponsabilidade de algumas decisões dos Tribunais de Família e Menores e, até, da Relação. Ontem, num debate sobre a justiça, falava-se na formação dos magistrados, questão que me parece essencial. Em qualquer circunstância, aplicar a lei não me parece o mesmo que administrar a lei. Quando se trata do “supremo interesse da criança”, ideia tutelar da legislação sobre a protecção de crianças e jovens, ainda mais necessário se torna uma sólida preparação dos magistrados para prevenir a caução pela justiça dos maus-tratos a menores.
Será que os magistrados intervenientes neste processo, tal como a justiça que deveriam representar, estarão cegos e surdos. Poderiam, em todo o caso, ouvir o coração ou a miúda. Lembram-se? Há uma miúda a sofrer.

2 comentários:

  1. já se esqueceram dos inúmeros casos de crianças que crescem num lar adoptivo por negligencia do biológico e que passado uns anos são devolvidas a quem de "direito" e que uns tempos depois são mortas ou espancadas!
    a última foi a menina Vanessa, devolvida ao pai e avó biológicos que a mataram numa banheira de água a ferver porque a menina chorava muito e chamava pela "mãe Rosa".

    isto dá-me náuseas e sinto-me enojada com os responsáveis por estes crimes.

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  2. Professor,

    A questão essencial é mesmo essa: há uma miúda a sofrer ( a questão do essencial e do acessório, muitas vezes abordada por si e que também me faz muito sentido a mim!!!). Depois escudam-se em lacunas da lei, pressões diplomáticas, etc...Bolas, os putos é que levam sempre na cabeça...cabe-nos a nós, se não pudermos mais que isto, pelo menos a indignação e ao mesmo tempo a vergonha. Épá, não se faz...
    Abraço,
    Ana

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