AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

CRISE, APOIOS E ELEIÇÕES

O ano de 2009, como toda a gente antecipa, será um ano extremamente complicado em termos mundiais e para nós em particular.
Depois de discursos de um optimismo excessivo, por vezes uma quase delirante negação da realidade, o discurso dos responsáveis políticos começa a passar com algum realismo a natureza das dificuldades esperadas. Como o problema começou por afectar sobretudo o sector financeiro, as primeiras medidas foram dirigidas a este sector o que, por falta de informação suficiente, gerou algumas perplexidades no cidadão comum. Entretanto, os problemas estendem-se à chamada economia real e desencadeiam-se dispositivos de apoio às empresas até que finalmente, como seria de esperar, os problemas começam a abater-se seriamente sobre as famílias.
Neste quadro, a homilia natalícia do Eng. Sócrates assume a generalidade dos problemas e, claro, assume a intenção de, naquela fórmula tão cara ao discurso político, garantir “fazer tudo o que estiver ao seu alcance” para apoiar toda a gente. Uma vez que, como diz, as contas públicas estão equilibradas, existe margem orçamental para apoios. Aqui começa a minha questão. Parece-me bastante mais eficaz que, estando as contas equilibradas e preparando-se o estado para distribuir apoios (euros) pelas famílias e empresas, porque não baixar as suas receitas, por exemplo mexendo, mesmo transitoriamente, no ISP, no IVA e no IRS, fazendo com que famílias e empresas mantivessem recursos “no bolso” em vez de lhes criar a dependência do apoio posterior.
O problema, é que 2009 será ano de eleições e o Eng. Sócrates precisa de ter dinheiro na mão para “ajudar a formar as consciências eleitorais”. Aquele menino que recebeu o Magalhães e escreveu à Ministra da Educação prometendo inscrever-se no PS quando crescer vai no bom caminho. Não é bonito, é discutível em termos de política económica, é mais duro para muitas famílias e empresas, mas é capaz de dar resultado.

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