AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

domingo, 26 de outubro de 2008

CRISE NO PÃO, POIS QUE VENHA O CIRCO

Uma caminhada de 20 km na Serra de Grândola, que, estranhamente, só parece ter subidas e está linda, ocupou-me o Domingo e deixou-me derreado. Muito deve ter acontecido, desde logo a entrevista do Primeiro-ministro que ainda não tive oportunidade de ler, mas fiquei pendurado em algo que me deixou (mais) em baixo. Durante este fim-de-semana, a principal avenida de Lisboa, a da Liberdade, esteve encerrada porque uma marca de automóveis, a Renault, quis apresentar o seu Road Show. A Câmara Municipal permitiu, claro, ainda que com o desconforto de alguns vereadores, Sá Fernandes e Helena Roseta ao que li. Devo estar a ficar velho e impaciente, mas será normal que a principal avenida de uma capital europeia seja fechada um fim-de-semana para que, por razões comerciais, uma rapaziada acelere, faça piões, ande a muitos à hora, queime borracha e combustível, polua e inspire os street racers?
Obviamente que será normal pois largos milhares de pessoas deslocaram-se para assistir ao circo, perdão, ao espectáculo. Que o pão esteja em crise, é pá a culpa é dos americanos e dos bancos, mas que não nos falte o circo, isso não. Bem-haja António Costa.

2 comentários:

  1. Não seja assim, Professor! Afinal as pessoas precisam de se divertir, de esquecer as tristezas... E que melhor sítio que a Avenida da Liberdade? Se calhar até o marquês de Pombal ficou com vontade de dar umas voltinhas...Antigamente só o futebol era o ópio do povo. Agora descobrem-se novas formas de entorpecimento. E tudo a bem da Nação!
    Que bem se está no campo!...

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  2. Só falta voltar as paradas militares a Lisboa. Aliás, quando vi a preparação toda para esse circo, com bancadas no Marquês e nos Restauradores pensei mesmo que era esse o caso. E que o nosso Grande Líder ia assistir claro.

    Ricardo Duarte

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