AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

ENTÃO A ESCOLA É SÓ A MINISTRA E OS SETORES?

Tou mesmo a ficar farto desta cena. Tou na escola só oiço falar das cenas da ministra com os setores, da avaliação deles e mais da gestão da escola e mais de uma data de cenas. Vou no autocarro a conversa é a mesma. A televisão só fala nisso e mais da cena dos hospitais que fecham. Lá em casa o meu pai diz que é bem feito mas não sabe explicar porquê e minha mãe diz que tem pena da ministra porque chamam-lhe nomes e dizem mal. Parece que isto da educação é só a ministra e os setores. E a gente? Ninguém fala da gente. Lá na minha escola há um rapaz com bué da problemas, que anda numa cadeira de rodas, havia uma contínua para o ajudar, tiraram-na da escola e a gente agora é que o ajuda. Há um grupo que passa o tempo a arranjar cenas nos intervalos e não acontece nada. Às vezes batem nos chavalos mais pequenos e roubam-lhes massa para os lanches. A gente precisava de uns materiais para fazer umas cenas no laboratório e a setora diz que não há que chegue. Lá na escola quando chove o ginásio mete água e a gente fica na rua. O pessoal às vezes precisa de uma ajuda para estudar mas parece que os setores não podem dar mais horas. A minha escola não tem espaço para o pessoal estar quando não há aulas. Na minha escola também há muito pessoal que chumba e depois alguns vão para turmas à noite, não aprendem cena nenhuma mas dão-lhe certificados e a gente não percebe o esquema.
É pá um dia destes, começo a mandar sms e a falar no messenger, juntamos o pessoal todo e fazemos também uma manif. para ver se não esquecem que a gente também anda na escola e as cenas não andam bem.

1 comentário:

  1. Boa tarde Professor Morgado, ao ler este seu texto não pude deixar de comentar, pois tenho vindo a perguntar-me o mesmo, no meio disto tudo , ainda há lugar para os problemas dos alunos?
    Julgo que não. uma conterrânea minha a frequentar o 9º ano, dizia-me há dias : "sabes andreia a minha escola é uma porcaria e nínguém faz nada. os putos entram em guerras uns com os outros, as escolas em guerra entre si... a polícia a semana passada teve que fazer um cordão policial para que os mìudos das duas escolas não se batessem... fumam charros ás portas das salas e nínguem parece ver nada... um colega meu levou uma chapada da prof de geografia e devolveu-lhe duas..." e eu no meio disto tudo respondi-lhe no meu tempo não acontecia nada disso.
    quando cheguei a casa não pude parar de pensar em tudo o que ela me disse: mas porque é que oito anos depois a minha querisa escola está tão diferente, será que sou eu que só me recordo das coisas boas? claro que não. quando eu era aluna do básico e secundário, as notícias de agressões alunos e professores chegavam-nos pela televisão, claro que todos nós fazíamos as coisas que se podiam desculpar com a frase feita "são moços", "ai esta juventude". mas a sociedade mudou, os problemas dos alunos, continuam a ser problemas dos alunos, mas agora temos que somar os problemas dos professores, dos funcionários, do emergente e crescente problema da toxicodepedência, do crescente desemprego e instabilidade dos empregos. e no meio disto tudo já me esqueci do que estava a falar, é verdade dos mìudos, que se não se adaptarem (sobreviverem) a esta escola fragmentada, sempre podem tirar o 9º ou o 12º nas novas oportuniddaes, mas espero que até lá não estejam agarrados, sem sonhos, e com outros mais problemas de uma sociedade que parecem ligar muito a estatíticas mas pouco a pessoas. e agora pergunto-lhe eu: como é que depois de tantas aclamadas evoluções e melhorias no ensino em Portugal, eu posso ouvir um dicurso deste tipo de um aluna do 9º ano de escolaridade de uma escola de uma região rural de Portugal.
    Com os melhores cumprimentos, Andreia Piassab

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