AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

terça-feira, 22 de maio de 2007

PROVAS DE AFERIÇÃO

Voltaram as provas de aferição. Desta vez envolvendo todos os alunos dos 4º e 6º anos do Ensino Básico e com os resultados devolvidos a cada escola e a cada professor.

Levantam-se as vozes. As estruturas representativas dos professores entendem que as provas, ainda que destinadas a avaliar o sistema, são, isso sim, uma forma encapotada de avaliar os professores. O ME, pela voz do Secretário de Estado, Jorge Pedreira, afirma que não se trata de avaliar os professores porque se fosse essa a intenção, afirmá-lo-ia. Nada de novo, uma vez que em qualquer área de funcionamento das comunidades, se estabelece uma natural conflitualidade de interesses que, umas vezes será base de desenvolvimento e, outras tantas, um retrato do lado mais negativo dos corporativismos e um inibidor de mudança. A existência de provas aferidas não parece, de momento, merecer grande contestação ganhando até maior pertinência se considerarmos o desejável avanço da autonomia das escolas. Por outro lado, parece também consensual que qualquer dispositivo de avaliação no interior de um sistema, implica de alguma forma os diferentes elementos desse sistema porque…é um sistema. Concordarão que, tanto a administração educativa como os professores, fazendo parte do sistema educativo estarão, naturalmente, sob escrutínio quando esse sistema está em avaliação.

Do meu ponto de vista a questão mais interessante passa por clarificar aspectos como: As provas avaliam exactamente o quê? A administração educativa crê que são “os objectivos e as competências essenciais de cada ciclo”. Será? Tratando-se de anos de transição, 4º e 6º, e de resultados individuais, o que fará cada professor, cada escola com os resultados de alunos que já não acompanham? Certamente, se o entender, poderá reajustar processos, mas em que direcção se a prova evidencia produtos? Será que alguma escola ou professor se surpreenderá com os resultados, bons ou maus, dos seus alunos? Se acontecer é porque não os conhece e, então, não há prova de aferição que lhes valha. Que farão pois com os dados?

Daqui a algum tempo, quando os resultados chegarem às escolas, veremos se encontramos algo que nos ajude nestas, e noutras, dúvidas. Sem equívocos.

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