Desde o início da resposta E@D ficou
claro, creio, que a resposta estruturada sendo a possível não é perfeita, longe
disso, como não era perfeita a resposta assente no ensino presencial AC (Antes
da Covide-19). O ensino à distância que está a ser desenvolvido acrescido do
contributo de #EstudoEmCasa é uma resposta de emergência que procura substituir
e minimizar o impacto do encerramento das escolas, mas não é uma alternativa,
dificilmente o será sobretudo nos primeiros anos de escolaridade dada a menor
autonomia dos alunos.
Apesar do gigantesco esforço de
professores e escolas e do aumento da acessibilidade e dos recursos digitais
muitos alunos estarão em situação de particular vulnerabilidade por diversas
razões, falta de recursos e constrangimento de acessibilidades à rede,
competências digitais nos contextos familiares, níveis de escolaridade das
famílias, circunstâncias de vida e disponibilidade em muitos agregados (apenas
um dos pais em casa, teletrabalho, número de crianças e idades, alunos com
necessidades especiais, entre outros aspectos).
Insisto no reconhecimento do
esforço gigantesco realizado por professores, escolas e outras entidades, mas
torna-se necessário reconhecer que não está tudo bem e que corremos o risco de
não vir a ficar tudo bem.
Como escrevi no início de Abril, já
me cansa fazer este tipo de discursos, serei certamente eu que estarei errado
quando parte do que leio me parece ser um “pensamento mágico” que não cola com
a realidade. A realidade não é a projecção dos nossos desejos e nem tudo corre
bem e as decisões em matéria de políticas públicas devem considerar a realidade
e não os discursos sobre a realidade.
No DN de hoje fala-se de crianças
que ”perderam a sua última âncora, a escola”. De facto, a distância para a
escola a que “a escola à distância” colocou muitos alunos é preocupante e exige
iniciativas e dispositivos de apoio que possam ir “buscar” essas crianças, a “exclusão
escolar é quase sempre a primeira etapa da exclusão social”.
Neste sentido e sobretudo ccom os alunos mais novos e mais vulneráveis também desde início
defendi em diferentes contextos que a grande necessidade, o grande objectivo
diria, seria manter os alunos ligados à escola, aos professores, aos colegas.
Em tempos de isolamento, a ligação é uma ferramenta de sobrevivência para os
miúdos e para os miúdos no seu papel de alunos. Essa ligação terá os suportes
disponíveis e tão acessíveis a todos quanto formos capazes e não podemos
falhar.
Esta ligação (relação,
comunicação, podem ser outras designações) permitirá que a “escola” continue na
cognição e na emoção de cada criança, faça parte dos dias confinados e das suas
rotinas. Fará parte do “kit de sobrevivência” num tempo em que os riscos de muitos
alunos ficarem perdidos são enormes. Conheço inúmeros testemunhos nesse sentido
como também é sublinhado na peça do DN.
Claro que esta ligação pode
(deve) envolver a realização de tarefas de natureza escolar, curtas,
diversificadas, com uma natureza que não exija a intervenção dos
“pais-professores” para que possa ser realizada, nem todas as crianças os têm
no seu “cantinho” lá em casa ou nem sequer têm cantinho”..
Estas actividades exercitam
competências e podem ser continuadas de forma diferente nos cantinhos de cada
criança. Podem estar seguros de que as crianças continuarão a aprender.
No entanto, sobretudo nos
primeiros anos e nestas circunstâncias não me parece que o “cumprimento” do
programa deva ser o grande objectivo. No próximo ano lectivo, alunos e
professores serão capazes de recuperar no essencial a aquilo que agora não foi
“trabalhado”, assim o tenhamos como preocupação e orientação.
Nesta perspectiva, é necessário
que, tal como na economia se está já a trabalhar no pós-pandemia, também no
universo da educação aconteça o mesmo.
